Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

P&O na Planície: Bom Fim de Semana 85

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P&O na Planície: Bom Fim de Semana 85 = O "bicho homem" é muito  difícil de compreender e de aturar. As atitudes das pessoas, tal como os seus comportamentos, cansam. Irra se cansam.


Na berlinda está o passeio higiénico. Quem terá inventado este atributo para o passeio?! A ânsia de estar sempre a "praticar" o passeio higiénico dá origem a momentos de criatividade incríveis: desde passear com uma cabra de trela ou levar o javali à cidade ou passear a trela e quando abordado por alguém diz que o cão fugiu ou até há quem alugue cães. Assistimos a cada doido com cada ideia doida que não fora a minha capacidade de pouco me surpreender com as engenhocas imaginativas do meu semelhante para desobedecer a um dever, a uma obrigação, o meu cabelo liso que faz impressão de tão liso que é, com o choque tinha-se transformado num cabelo cheio de caracóis igual ao da  personagem Serafim Saudade! 


O que tem piada, sem ter piada nenhuma, quem anda nestas figurinhas são maioritariamente os homens. O tempo que estão em casa estão a queimar o tico e teco para encontrar artimanhas para estarem a laurear a pevide, o tal passeio higiénico.  Passeiam o cão que se nota a quilómetros que não está habituado a passear com a trela, têm de higienizar a mente três ou quatro vezes por dia, e quando chegam a casa sempre às horas das refeições é só sentarem-se à mesa, pois a esposa esteve entre quatro paredes  a higienizar a mente como?  A cozinhar, a pôr a mesa, a estender roupa, a passar a ferro a camisa do senhor seu marido. É assim que as mulheres praticam o passeio higiénico, laureiam a pevide no soalho da casa com um tecto por cima a fazer coisas úteis. Estamos neste estado de coisas.  Dizem que cada um tem o que merece, mas às vezes nem sempre se merece esta rotina de(a) vida.  


Urge ver mulheres a passearem-se com a cabra, o javali, o burro, o gato ou cão. Estou à espera de vos ver na televisão, em fotografias publicadas nas redes sociais.


Eu vou fazer a minha parte.


Não tenho porquinhos. Uma pena, seria um piadão mimoso passear um porquinho pelo empedrado da minha cidade de acolhimento.


Antes que se faça mais tarde, vou à procura de umas alças para aplicar na gaiola da minha caturra Júlia, para amanhã bem cedinho mal o nevoeiro se dissipe do céu colocar às costas a gaiola com a minha "Júlia" e fazer o meu passeio higiénico. Que também mereço.  


Resto de bom domingo. 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga