A segunda-feira é aquele dia em que se abre a agenda para ver o que está marcado e o que é para marcar de afazeres que não podem deixar de se fazer nesta janela de cinco dias de feira, os outros dois são os renegados que nem sempre ou nem nunca são de totalmente de descanso físico muito menos emocional.
O folhear da agenda e o percorrer com o dedo as linhas onde supostamente devia estar a tarefa que não pode passar desta semana, depressa o dedo começa a ganhar poderes mágicos e as folhas passam a ser outras, as da agenda das coisas realizadas arquivadas na mente, e estas começam a ser folheadas até que inexplicavelmente o dedo prende naquele dia, naquela semana, naquele dia, naquele mês e naquele ano.
Não é inexplicável, não queremos sofrer, não queremos admitir que estamos a levar uma chapada sem mãos outra vez. Uma acção do presente vem colocar no caixote do lixo uma acção ocorrida no passado, onde se despendeu esforço, horas de dedicação ao outro. E quando as circunstâncias no presente mudaram, não há inteligência emocional para manter as escolhas feitas com ajuda de outrem em tempos que havia necessidade de reequilibrar a vida no momento que as assinaturas assumem a solução de um problema para criar outro no mesmo instante.
O outrem pode balançar e pensar: olha que estupor agora já não gosta das escolhas tomadas no tal instante que criou outros problemas e outros novos viveres.
Horas a escolher um cortinado para enaltecer a beleza da mobília e criar um ambiente aconchegante, e em menos de um fósforo foi trocado por um cuja cor é a personificação de todos os males que uma sala de estar não precisa para ser um local de luminosidade e ambiente acolhedor. Isto não é sobre a troca do cortinado em si, é sobre o que está subentendido que ninguém quer tocar, porque há uma tendência instituída que não se pode conjugar as escolhas do passado com as do presente, parece que se está a trair o presente se não escondermos o passado. Na realidade, o preço a pagar pela perda de tempo que outrem pagou não é comparável àquela factura que vai ser paga no futuro por esse alguém ao se anular para agradar e assim achar que será mais cúmplice ou amado. Quem perdeu tempo manter-se-á na sua vida de seguir as suas balizas bem definidas de não sucumbir desnecessariamente aos interesses dos outros, quem decidiu pelo caminho inverso vai viver em exclusivo numa dependência tóxica subjugado, primeiro às simples decisões sem importância para a subordinação às grandes decisões para o que se quer para a vida para evitar a rejeição e o medo de perder aquilo que nunca teve.
Sairá de tudo isto, outra vez como se estivesse horas com o relógio de pulso parado na mesma hora a caminhar descalço num caminho de terra e pedras soltas durante a noite mais escura de todas.
Talvez o outrem esteja lá outra vez para ajudar na escolha do cortinado para a sala.
Espero que entendam: isto não é sobre cortinados.
Desejo a todos vós uma semana extraordinária.