Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Boa Semana

A primeira semana de Julho ainda com dois dias hospedados de Junho não podia começar melhor: Estado condenado a pagar 15 mil euros ao antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Está uma ventania de bafo quente, o cabelo parece que anda numa montanha russa tal é a velocidade na subida e na descida a bater na minha linda bochecha, o São Pedro gosta muito de pregar estas partidinhas. 

Voltando à vaca fria: a indemnização. Esta fantochada vai sair muito cara ao bolso do contribuinte. Porém, são muito pouco os quinze mil euros pelos diálogos sublimes transcritos na comunicação social entre o queixoso a indemnizar e o seu amigo  que lhe banca o estilo de vida ou com a sua rica mãe, pelo menos tinha um cofre com dinheiro mas pedinchava uma ajuda para comprar um "casaquito" com o custo de apenas 1200 euros.  

Quem não se lembra destas frases: "Vê lá se me trazes um bocadinho daquela coisa que eu gosto." Ou esta: "Traz-me garrafas de vinho." Então e desta: "Estou de rastos. A minha mãe está depenadinha."

O José das "fotocópias mais miúdas" devia provar do mesmo prato que nos tem servido à hora do nosso jantar; por isso, o Ministério Público devia recorrer da sentença até não conseguir mais, apresentar contestações processuais por uma vírgula a mais, por uma vírgula a menos, por excessivo uso de conectores discursivos, por inexistência de conectores discursivos, recorrer à sintaxe, à semântica, à morfologia, à epistemologia para protelar o máximo de tempo possível a acção em tribunal, para além dos magistrados atribuídos deviam fazer o favor aos portugueses (uma vez que a justiça tem estado com o prato da balança pendido para o Senhor das "fotocópias miúdas") e pediam escusa até que prescrevesse o processo. A voz do dito cuja deixava de ser estridente.

Os quinze mil euros são umas migalhas de pão, o José das "fotocópias miúdas" está habituado a ter amigos ricos a pagarem-lhe as suas despesas da sua vida simples, alegadamente, não vá ler esta obra-prima de texto – nunca se sabe–, ao contrário da outra, este diabo veste Armani e de algum lado tem de aparecer nem que seja de indemnizações.

Desejo a todos vós uma semana cheia de justiça, quem vos deve dinheiro, siga o exemplo do antigo primeiro-ministro a conquistar a primeira maioria absoluta para o partido socialista, instaure uma acção em tribunal para reaver o dinheiro emprestado ou não pago por algum serviço prestado. Devemos aprender com os (manhosos) melhores.

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga