Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

P&O na Planície: Bom Fim de Semana 145

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P&O na Planície: Bom Fim de Semana 145:  A primeira semana do mês nove está passada. Nos próximos anos, esta semana será relembrada pelo desesperante e mortífero descarrilamento de uma das composições do histórico ascensor e eternizado numa canção do grupo Rádio Macau. Correu muito sangue, foi um corropio de vampiros para não perderem a vez no bebedouro de sangue fresco. Precisavam de matar a sede,  deambulavam sem rumo pela escuridão do esquecimento mediático televisivo. Demissão. Aproveitamento político. Dissimulação de sofrimento. Hipocrisia mascarada de sentido se estado. É sempre assim,  nunca é bonito de se ver este espectáculo político. Ainda vai piorar, não vai ser muito benéfico para aqueles que apareceram para beber o sangue fresco.


Setembro é baptizado de regressos: ao trabalho, à escola, à rotina familiar, obviamente, aos casos do nosso reino nos serviços estatais. Desta vez, quem levantou a lebre foi um alto funcionário de um estabelecimento de ensino superior. Parece que há promessas de colocação em vagas especiais para o curso de Medicina na Universidade do Porto (será só nesta) sem respeitar a nota mínima estipulada, outrora. Dizem não ser a primeira vez, terão arcaboiço para passar às cadeiras quem tem média de 10 valores? Quem entrou com notas abaixo dos 14 valores, nos anos da pandemia, já terminaria o curso? Não é preconceito, são titulares de licenciaturas e mestrados na área da saúde, mas sei lá, o SNS não precisa de se tornar em matadouros certificados, principalmente com pacientes enviados pelos hospitais privados com o intuito de terminar o serviço começado sem as mínimas condições de segurança e médicas (apesar de tudo, pode faltar papel higiénico, mas quando se entra para a sala de cirurgia há sangue, medicação caso haja imprevistos durante o procedimento, no hospital privado primeiro paga-se muito bem, depois é ter a escala das urgências públicas abertas nesse dia, sempre à mão). Estes meninos nota 10 (ler no sentido negativo) irão para onde se pode ganhar bem para ter o Maserati do administrador do hospital da classe media alta. Os milionários, em Portugal, preferem o SNS para lhes salvar a vida. O Ministro da Educação recusa ter pressionado, o denunciante Reitor veio arrepiar caminho, não foi a tutela, foram outros ilustres da sua amizade política ou amigos do partido laranja? Não sabemos. Por sua vez, o director da faculdade metida na berlinda, não se ficou e lá veio salpicar a figueira com álcool: estou bem posicionado para substituir o denunciante reitor, perdi na outra eleição, será desta vez que o alisto como vencido. E aqui? Ninguém pede a demissão? Não exigem responsabilidades políticas? Fazer dos lugares ocupados um sítio para obterem vantagens pessoais passando a perna aos colegas não por possuírem competências, mas serem dotados de manhosice e espertice e assim tornarem o ambiente nas instituições igual aos que se vive nos jantares de família no Natal. Demissão, faria muito sentido neste caso. Os dois: o reitor e o director. O Secretário-geral do Partido Socialista, neste nova função, nunca pensei que faria a escolha do caminho mais fácil: comentar os assuntos recorrendo à politiquice dos seus colegas partidários da extrema esquerda. Pensei que seria sensato, moderado, conciliador (aliás como muitas vezes o foi enquanto governante nos governos de Costa) e não um mero apanha canas dos foguetes que os outros lançam.


Não só de tempestades foi feita esta semana, o projecto na área da comunicação social Conta lá liderado pelo Sérgio Figueiredo estreou-se com a iniciativa de transmitir na plataforma YouTube e na televisão por cabo com debates autárquicos, serão emitidos 278 (abrange apenas os municípios de Portugal Continental). Viram o debate com os candidatos à presidência do vosso município ou ainda não foi emitido? Se sim, o que acharam? 


Os regressos também se fazem por Beja. Não é para destoar ou para solidarizar-se com os momentos tristes vividos nos outros cantos de Portugal, simplesmente, em Beja todas as semanas do ano são negras, dramáticas e taciturnas, pouco se pode esperar de um distrito esquecido pelos governantes instalados em Lisboa, benesse aproveitada com sagacidade pelos autarcas maniatando tudo e toda qualquer iniciativa de progresso em prol da sua quase eterna permanência à frente dos destinos da população distribuindo migalhas. Por isso, a semana também não começou bem: um senhor de 65 anos foi agredido com muita violência por três jovens no parque da cidade. Os motivos não sei. Não interessam quando se comentem crimes à integridade física como o primeiro recurso. Beja sempre a copiar os maus exemplos. Até quando?


Esta fotografia escolhida foi tirada há um ano. Em 2024, na primeira semana de Setembro, circulavam na estrada de informação feita de asfalto negra com uma linha branca de esperança as seguintes notícias: o novo presidente do INEM exigia que os médicos estivessem no atendimento no centro de chamadas do 112 (está em prática? Não sei); no conselho de ministros foi aprovado a actualização dos salários e suplementos dos militares; aprovação das unidades de saúde familiar modelo C com intuito — estava escrito e permanecerá escrito — de melhorar a prestação dos cuidados médicos primários e colmatar a carência de médicos de família. Os primeiros dias do mês dos recomeços foi monopolizado pela avalanche de informações sobre a queda do helicóptero da GNR no Rio Douro em missão no combate a um incêndio, vitimizando cinco militares. 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga