Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

P&O do Passado VII

«Manifesto aos Portugueses», dos revolucionários de 1820 (Excerto)


 


“Uma administração inconsiderada, cheia de erros e vícios, havia acarretado sobre nós toda a casta de males violando nossos foros e direitos, quebrando nossas fraquezas e liberdades e profanando até esses louváveis costumes que nos caracterizaram sempre desde o estabelecimento da monarquia e que eram porventura o mais seguro penhor de nossas virtudes sociais. […]


Assim, vimos nós desaparecer desgraçadamente o nosso comércio, definhar-se a nossa indústria, esmorecer a agricultura e apodrecer a nossa marinha. […] e para cúmulo de desventura deixou de viver entre



nós o nosso adorável soberano.


Portugueses! Desde esse dia fatal contamos as nossas desgraças pelos momentos que tem durado a nossa orfandade.


Perdemos tudo! E até haveríamos perdido o nosso nome, tão famoso no universo, se não mostrássemos que ainda somos os mesmos pela constância com que temos sofrido tantas calamidades e misérias e pela heroica resolução que hoje havemos tomado.


Imitando nossos maiores, convoquemos as Cortes e esperemos da sua sabedoria e firmeza as medidas que só podem salvar-nos da perdição e segurar a nossa existência política.”


 


(Manifesto assinado pelos dirigentes da Revolução de 1820)



 

0
«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga