Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

P&O do Passado VI

“(…)Língua3 aos teus esquecida”: no passado a língua espanhola era a grande ameaça à Língua Portuguesa, porém sobreviveu. Presentemente, o novo acordo ortográfico revela-se como a maior prova de fogo que a nossa Língua Portuguesa tem encarado. Será que vai vencer a guerra? Pois, a batalha – com acordo ortográfico aplicado –, já a perdeu…


 


A defesa da Língua Portuguesa (Ode I)


 


Fuja daqui odioso


Profano vulgo1, eu canto


As brandas Musas, a uns espritos dados


Dos Céus ao novo canto


Heróico, e generoso


 



Nunca ouvido dos nossos bons passados.


Neste sejam cantados


Altos Reis, altos feitos,


Costuma-se este ar à Lira2 nova.


Acendei vossos peitos,


Engenhos bem criados.


Do fogo, que o Mundo outra vez renova.


Cada um faça alta prova


De seu esprito em tantas


Portuguesas conquistas, e vitórias,


De que ledo te espantas,


Oceano, e dás por nova


Do Mundo ao mesmo Mundo altas histórias.


Renova mil memórias


Língua3 aos teus esquecida,


Ou por falta de amor ou falta de arte,


Sê para sempre lida


Nas Portuguesas glórias,


Que em ti a Apolo honra darão, e a Marte.


A mim pequena parte


Cabe inda do alto lume


Igual ao canto, o brando Amor só sigo


Levado do costume.


Mas inda em alguma parte,


Ah Ferreira, dirão, da língua amigo!


           António Ferreira


 




  1. 1. é a tradução do 1.º verso da Ode 1.ª, liv. 3.º de Horácio: “odi profanum vulgus”; É a poesia italiana, o “dolce stil nuovo”; 3. A. Ferreira defende o uso da língua, num tempo em que o português e o espanhol tinham direitos iguais.


0
«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga