Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

O profissional das nomeações políticas

O fadista Jorge Fernando é um predestinado para escrever letras de música de fazer inveja a poemas de poetas caprichosos que mais não são uns construtores de métrica e rimas despidas de sentimento


A letra "Chuva" é o máximo do belo, destaco:


"Há gente que fica na história da história da gente
E outras de quem nem o nome lembramos ouvir." 


Conta-se pelos dedos da mão aqueles governantes que ficam na "história da gente".


O profissional das nomeações políticas fica no quadro de honra de "nem o nome lembramos ouvir." Excepto quando regressa o rodízio dos cargos de nomeação do partido que está no governo.


Há uma nova aragem no sistema de rotatividade de tempos a tempos, o problema é que  existe uma carteira restrita de profissionais  com skills especiais desenvolvidos nas universidades que são os partidos políticos para ocupar os cargos de confiança nas empresas públicas, semi-públicas ou empresas privadas monopolistas e similares.


Se estivermos atentos percebemos que são sempre  as mesmas "carinhas larocas" a saltitar de nomeação em nomeação.


Os salários muito para lá da média com os quais é possível alguém remediado enriquecer da noite para o dia, só estão reservados e ao alcance do profissional das nomeações políticas. Sempre ouvi dizer que ninguém enriquece do trabalho, porém o profissional das nomeações é excepção: constroi autênticas  fortunas. Não é preciso pensar muito, há vários exemplos que quase não tinham uma cadeira para se sentar e hoje têm autênticas plateias de cadeiras espalhadas pela casa da cidade, pela casa de férias ou ainda pela casa de campo; é que hoje em dia estes profissionais gostam de brincar à ruralidade, a fingir que são lavradores com grandes casas agrícolas. Produzem cinco garrafas de vinho e são levados às costas pela imprensa especializada.  


Não é inveja. É comoção. Se não tivesse sido criada no mercado de trabalho competitivo a carreira de profissional das nomeações, não sei como encontrariam uma profissão, um trabalho para pagar a renda de casa ou sustentar uma família. Era impossível. Morriam à fome, para além de obrigar a família a trilhar  um caminho de miséria sem precedentes. Todas as portas estariam fechadas para esta gente que "nem o nome lembramos ouvir."


Uma palavra de gratidão para quem resgata o profissional das nomeações das condições de vida indignas. 


Tantos senhores, menos senhoras nesta posição,  que têm carreiras bem sucedidas à conta de terem optado pela sofrida carreira de profissional das nomeações políticas.


Este Senhor é um caso de estudo tal é o seu sucesso, é um profissional de topo das nomeações políticas.  Gostava de saber a receita para se manter fantasticamente no auge desta "carreira", não era para lhe fazer concorrência, é apenas uma curiosidade que por vezes me cria insónias! Se me explicassem já não tomava Valium, quando a insónia destas insignificâncias me rouba o sono dos justos. 


Não há Rei à altura do Patrão das nomeações: "Foi chefe de gabinete de Guterres e Sócrates, secretário de Estado, gere finanças do PS, passou pelo Turismo de Portugal, TAP, Emel, ANA."  O histórico Patrão não sairá do rodízio sem antes receber o prémio de carreira nestas lides sui generis: ser nomeado para fiscalizar o SIRP, vulgarmente conhecido pelas Secretas de Portugal. Pelos vistos irá acumular com o cargo de nomeação na ANA.


Manter-se no topo da carreira de profissional das nomeações políticas não é nada fácil, no entanto, não sei se é o carisma do Senhor que hipnotiza ou são os seus skills especiais para ser o Patrão da competente obediência a quem lhe tem dado a mão; o que é certo é que tem acumulado cargos de relevo no seu curriculum profissional.


Não escondo. É uma grande emoção.  Se não existissem os cargos de nomeação política o que seriam destas "pobres almas"?


Não sou um calhau, por isso, emociono-me. Tenho de ter compaixão para quem "nem o nome lembramos ouvir."


 


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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga