Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

O Outono aportou!


José Malhoa, Outono


 


“O equinócio de Setembro faz-me lembrar os cães das praias, oxidados do Outono, a trotarem pela areia deserta em manadas cabisbaixas, lambendo as algas, os pedaços de madeira, os desperdícios que as ondas devolvem e recusam, fragmentos de pomo, bichos, conchas. Os cães lambem as algas e os desperdícios, roçam uns nos outros os flancos magros salpicados de crostas de feridas, os banheiros recolhem os últimos toldos que ninguém usou, a água possui a tonalidade rósea de um dorso de criança, a respirar a medo nos limos da muralha.”


António Lobo Antunes, Conhecimento do Inferno

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga