Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Falam do problema B, mas sem o problema A não existia o problema B!

 


“(...) uma imagem reflectida num espelho é sempre mais baça, e um pouco distorcida. O convexo e o côncavo trocam de lugares, a falsidade vence a realidade, a luz e a sombra enganam os olhos.”


 


Haruki Murakami, Underground – O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa


 


[Preparem os paus para acender a fogueira… Vou ser lançada viva para a fogueira]


 


“(...) – Porque temos de fugir da verdade quando ela nos está a cercar?”*


 


Quando utilizamos os transportes rodoviários de passageiros temos de perceber que há um decreto-lei  n.º 9/2015 (15 de Janeiro) que regula os direitos e obrigações das operadoras bem como dos passageiros.


A vítima, em certas ocasiões, só se torna vítima quando não respeita as regras básicas que tem de cumprir para usufruir um dado serviço. Tudo o que aconteceu paralelamente foi despoletado por uma atitude incumpridora por parte da cidadã: o facto de ser obrigatório a apresentação ou aquisição do título transporte quando solicitado pelo motorista (art. 8.º, n.1). Como a filha da cidadã não levava o título de transporte, o motorista do autocarro só cumpriu com a sua obrigação: ou comprava o bilhete ou não podia seguir viagem. Simples. O motorista tem de cumprir a lei e não pode “fechar os olhos” perante o esquecimento do passe. Esta é que foi a razão principal que depressa foi esquecida com as situações lamentáveis e intoleráveis que se seguiram a posteriori: agressões verbais, violência física e o aproveitamento político para aqueles seres que se alimentam deste tipo de ‘sangue”.


A verdade  é que não houve a intenção de cumprir uma obrigação, por mais razão que a cidadã tivesse, existe a lei para a contradizer e o motorista não pode ser condescendente com as desculpas e soluções que não estão previstas na lei: dura lex, sed lex. Se a cidadã tivesse acatado as ordens, se se tivesse lembrado das suas obrigações de utilizadora de transportes rodoviários de passageiros não estaria a viver esta situação em que a única prejudicada é ela mesma.


Agora resta esperar as averiguações necessárias e as consequentes punições para os actos criminosos e de violência que foram cometidos de parte a parte: pela cidadã e pelos polícias. Quanto aqueles que se auto-intitulam de varredores de serviço para eliminar o racismo, a xenofobia… que vão existindo à conta destes casos que vão ludibriando à  sua medida para marcar a sua agenda porque  fazem o culto da cor de pele, da etnia e da religião; Merecem que nós não percamos tempo com eles… Eles potenciam a discriminação e são muitas vezes parte do problema e um obstáculo à verdadeira integração e inclusão das pessoas na sociedade vigente e actualizada.


 


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*Naguib Mahfouz, As Noites das Mil e Uma Noites.


 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga