Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Eutanasiar este debate da Eutanásia

EUTANÁSIA! Estamos em Fevereiro sem Orçamento de Estado, por isso,  os serviços estatais estão a viver de duodécimos. Alguém se preocupa? Não. O que interessa é discutir levianamente a Eutanásia. A discussão de medidas que podem fazer a diferença em 2020 na vida dos portugueses é eutanasiada, por estes cangalheiros do sistema político português. A quem interessa lançar para debate a temática da Eutanásia? Qual a razão pela qual pretendem desviar as atenções sobre a discussão das medidas na especialidade do orçamento de estado?


Qual eutanásia activa ou qual eutanásia passiva: cada dia que passa vou confirmando que estes políticos, ajudados pela comunicação social, nos condenam à pena de morte em vida.


Portugal tem dois problemas: os temas estruturais nunca são debatidos com elevação e com bom senso e o segundo problema é gostar de viver às escondidas para se manter as aparências.


Sabem que se morre a pedido, mas finge-se que se morreu naturalmente. É o caso paradigmático das estatísticas do suicídio: lá se faz um jeitinho no atestado de óbito para a família ter o padre no funeral. Raios partam: cansa esta conotação de o suicídio estar visceralmente ligado apenas aos alentejanos. Nós somos verdadeiros e até na morte somos correctos.


Eutanasiar às escondidas em casa, num hospital privado recomenda-se.


Agora ir morrer conscientemente a pedido num hospital público é um retrocesso na sociedade portuguesa. E depois o que se faz à ética de circunstância, à moral alimentada pelos holofotes? Vamos lá escamotear a realidade que não existe eutanásia ou suicídio assistido. Na Alemanha, Holanda, Bélgica… aí sim, morre-se por capricho a pedido. Portugal não. Nunca. Somos a favor da vida. 


Todos gostamos da vida: uns têm respeito pela vida e vivem a sua dando condições e não limitando as escolhas do seu semelhante e outros vivem vivendo as vidas dos outros criando gaiolas, impondo a tirania do pensamento único sob a capa que são misericordiosos com o seu semelhante que não tem voz.


Proponho eutanasiar esta forma de debater a eutanásia. Esperar para uma profunda e pedagógica reflexão para se legislar uma opção que podemos nunca recorrer, porém está legalmente prevista e sem ser preciso adoptar artifícios para se escolher a forma como queremos morrer e principalmente como não queremos viver! Respeitar e colocarmo-nos nos sapatos dos outros são um bom princípio para dar início a uma discussão sobre a eutanásia. Todavia, não é para hoje e nem  será para amanhã que esta problemática deve centrar a nossa atenção. 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga