Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Boa semana com um recado ao Padre Borga

A minha neura caminha para o tamanho da muralha da China.


A semana neste estaminé vai começar com um recado endereçado ao Padre Borga.


Hoje, no programa Praça da Alegria transmitido no canal público, o Senhor Prior foi cantar uma canção nova do seu reportório alusiva à Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. Com a astúcia que lhe é conhecida, sem ninguém lhe perguntar, antecipou-se e referiu que não vai ganhar nada com a canção. Se o pro bono for igual aos dos participantes baptizados de voluntários que são obrigados a pagar duzentos e tal euros (sem factura) para adquirem a  credencial de participação. Estamos conversados.


O Padre Borga é muito experiente tanto a celebrar os eventos religiosos, como também frente a uma câmara de televisão. 


Com aquele semblante de beato enjoado com a lição de engrolar muito bem estudada remata a "missa" no programa da RTP1 de forma mordaz: "vamos ver quanto vai custar as comemorações do cinquentenário do 25 de Abril". 


O Padre Borga com esta afirmação provocatória sem sentido, em que compara o que não tem comparação,  lembrei-me de uma expressão alentejana que sintetiza a estupidez da comparação, porém como é brejeira, e não querendo vulgarizar aquilo que não não deve ser desrespeitado, fica para a próxima esse adágio. 


Devo deixar o seguinte alvitre ao Padre: as comemorações do 25 de Abril fazem parte de um sistema político,  a democracia, que é custeada pelos pagadores de impostos.  Ao contrário, as Jornadas Mundiais da Juventude são um cerimonial religioso que deve ser pago pela Santa Sé, a autocracia liderada pelo Papa, pela Igreja Católica Portuguesa e pelos católicos praticantes. Os impostos que o contribuinte português paga ao Estado que ficam com o fiel depositário, ou seja, os governantes da administração local e central não deveriam ser usados neste tipo de eventos,  quando a Igreja tem os seus próprios meios financeiros.


Assim, é criticável esta postura do Padre Borga, acrescentando que a Igreja Católica e Apostólica Romana Portuguesa nunca ficou prejudicada com a "aclamação" e "implementação" do regime democrático resultante da revolução dos cravos. Nestes quase cinquenta anos de democracia a Igreja continua a ter muitos privilégios nomeadamente: o património isento de impostos (inclusive as casas de habitação dos padres contíguas às igrejas), recebimento de muitos subsídios para as misericórdias e IPSS's de cariz religioso sem haver uma efectiva fiscalização da aplicação dos fundos financeiros tendo em vista a boa governaça. O Esdado delega na Igreja os serviços sociais obrigatórios, sem haver os tais critérios de governar de forma equilibrada os recursos despendidos pelo Estado e sociedade civil entre os diversos parceiros do terceiro sector que está dominado pela Igreja Católica. São as benesses e as aleluias da Concordata. 


O Padre Borga gosta de fazer política, rasteira por sinal, sabendo que tudo o que a Igreja dele choraminga os beatos a governar o Estado Laico vão ao seu socorro dar a esmola que é nada mais nada menos o suor dos portugueses depositado na tesouraria das finanças. 


O Senhor Padre,  vá cantarolar a sua canção Jota Eme Jota para o Parque Eduardo VII e não se auto-convide para assuntos que devem figurar na separação de poderes Igreja/Estado, por isso não tem nada que contra atacar o excessivo dinheiro gasto do erário público na JMJ com o custo dos eventos a realizarem-se no âmbito da comemoração dos cinquenta anos da nossa democracia na era contemporânea. 


Desejo a todos vós uma semana a esmolar paciência para aturar estes crismados a precisar de um banho de humildade (o ar superior não será pecado?) e que se consciencializem que têm de pagar as suas próprias contas. Querem festas? Paguem do bolso da Igreja. 


 


 


 


 


 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga