Perspectivas e Olhares na Planície

«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.» Paulo Freire

Ai os combustíveis! Sabem o preço de uma garrafa de gás?

Aqui onde o Judas nem quis perder as botas, pois disse ele: — têm o cante não precisam das minhas botas.


Uma garrafa de gás da Rubis (13kg) custa 29,90€. Refiro-me à garrafa pesada, pois a mais leve nem sei o preço, é ainda mais cara.  E tenho de a ir buscar.


(Faz bem levantar peso, o meu sonho é ter os bíceps da judoca Telma Monteiro)


Pois se for entrega ao domicílio acresce um ou dois euros. 


A poucos quilómetros deste nenhures que tem Cante sita o Rosal de Lá Frontera onde uma garrafa de gás da Repsol (12,5 kg) custa a módica quantia de 16,20€. 


Gás canalizado é uma miragem, ah mas temos o Cante.


Cozinhamos as sopas com o calor das "modas" alentejanas. E o banho? Ora bebemos vinho da talha para aquecer o "corpicho" ao mesmo tempo que nos colocamos debaixo do chuveiro até esquecemos que a água está em caramelo, que é como quem diz, geladinha capaz de fazer a garganta produzir gritos audíveis na Serra da Estrela.


Devíamos agradecer eu sei, ao menos a botija de gás não está a 50€. E estou no Baixo Alentejo,  na Margem Esquerda do Rio Guadiana, rodeada de Cante,  sempre regada com o vinho da talha e guardada pelo desfile militar da China que são os olivais de super-intensivo.


Os combustíveis ainda baixam quando há variação de preço do petróleo, meio cêntimo, é sempre meio cêntimo, já nos seus derivados, onde está incluído o gás butano engarrafado nunca se reflete.


Este é o tal país real, em que os próprios autarcas locais privilegiam trabalhar para o entretenimento de uma pseudo-cultura quando deviam trabalhar para termos direitos básicos para não vivermos em constante desvantagem dos demais portugueses nas grandes cidades. 


 


 


 

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«(...)o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.» Miguel Torga